segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Quinta Barnasiana - Lançamento dia 27 de novembro


Quinta, em português da pátria-mãe, é um terreno rural, é uma enfermaria para prostitutas ou é o número ordinal feminino. Esta quinta antologia de contos, crônicas e poemas reúne 38 autores brasileiros e um de Moçambique, escrevendo sobre diversos sentimentos, do mais formal ao mais lisérgico, do mais brando ao mais brabo.
São 240 páginas de entretenimento literário, focado na diversão das experiências vividas em assuntos debatidos em mesas de bares.
Nesta edição de 2400 exemplares, O BdE alcança 13 mil livros publicados em 1246 páginas e firma-se como um legítimo movimento literário, que originou-se diretamente da World Wild Web, no falecido Orkut, e prova que o a anarquia bem intencionada é absolutamente produtiva. O Blog do BdE tem mais de 200 mil acessos, com mais de 2 mil postagens nos oito anos desde sua criação.
Com capa pintada em naquim por Paulo Branco, que ilustrou em revistas como Pasquim, Playboy, Bundas e em livros de Ziraldo e Ruben Alves, este pocket-book do BdE tem os seguintes autores de Brasília:
André Giusti – Escritor e jornalista. Nasceu no emblemá­tico maio de 1968, no Rio de janeiro, e mora em Brasília há mais de 15 anos. Entre outros livros, é autor de Histó­rias de Pai, Memórias de Filho, A Liberdade é Amarela e Conversível e A Solidão do Livro Em­prestado, todos de contos, lançados pela Editora 7Letras;

Lourenço Dutra - Nasceu em Brasília em dezembro de 1963. É baixista, pro­fessor, escritor e agora pai de família. Publicou O destino de um certo Frank Zappa pela arte­paubrasil, O Olhar dos outros pela LGE e Cer­rados, frevos e minuanos pela LER;

Roberto Klotz - Engenheiro que saltou do topo do prédio re­cém-construído e esti­lhaçou-se em parágra­fos. Publicou Pepino e Farofa, Quase pisei! e Cara de crachá. Conquistou mais de 20 prêmios literários. Foi jurado em vários concursos e desafios literários. Foi, durante quatro anos, Conselheiro de Cultura do Distrito Federal.

Andrea CarvalhoJornalista por opção, gaúcha por natureza, escritora por paixão. Classificada em vários concur­sos literários, é colunista do blog Bar do Escritor e escreve em ou­tros quatro blogs;

Cinthia Kriemler – É carioca e vive em Brasília desde 1969. Escre­ve contos e crônicas. Brinca de poemas. Tem três livros publicados, dois pela Editora Patuá e um pelo FAC-DF. Pu­blica textos em duas re­vistas literárias eletrôni­cas. É membro da Academia de Letra do Brasil, ALB/ DF e da Rede de Escritoras Brasileiras – REBRA;

Deliane Leite - Brasiliense e poetisa desde sempre. É membro do movimen­to cultural Tribo das Artes. É apaixonada pelo cerra­do e tem nele seu habitat natural;

Jorge Amâncio - É carioca, nasceu em 1953 e vive em Brasília des­de 1976. Fundador do Centro de Estudos Afro Brasileiro, do Grupo Cultural Axé Dudu, é membro da Academia de Le­tras do Brasil-secção DF e do Coletivo de Poetas de Brasília. Publicou NEGROJORGEN pela Thesaurus em 2007 e foi publicado em inúmeras antologias. Coordena com o poeta Marcos Freitas o Sarau Videolitero­musical Poemação.

Larissa Marques – Escritora e artista plásti­ca, nasceu em 1974, na cidade de Itumbiara, interior de Goiás, e reside em Sobradinho. Já escreve há mais de vinte anos e expõe sua obra na in­ternet, em vários títulos editados, em jornais es­pecializados em literatura e revistas voltadas para arte.

Giovani Iemini – criador e mentor do Bar do Escritor, publicou Mão Branca pela LGE em 2009, participa de diversas antologias, escreve em incontáveis sites de literatura na Internet, organizou as quatro antologias anteriores do Bde, coordenou o concurso de literatura Brasília é uma Festa e é membro da Academia de Letras de Brasília.


O lançamento será no dia 27 de novembro de 2014, no Senhoritas Café, 408 norte, a partir das 19 horas. O valor é R$ 20,00.

O Bar do Escritor é um grupo livre, aberto, plural e resistente. 

Para conhecer a história do bar:
http://bardoescritor.blogspot.com.br/p/historia.html
As antologias anteriores do Bar do Escritor: http://bardoescritor.blogspot.com.br/p/livros-do-bde.html

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Participação da Academia na 1a Festival Literária da Universidasde Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF)

José Carlos Gentili

Mesa diretiva da solenidade de abertura do I Festival Literário da UNIVASF.
Prof. Emérito Antônio Miranda (UNB), arqueóloga Niède Guidon ( Diretora do Museu do Homem Americano/PI), magnífico Reitor, Julianeli Tolentino de Lima, Vice-Retor, José Carlos Gentili (presidente da academia de Letras de Basília), Lucídio Alencar ( diretor da universidade).

Sociólogo francês Jean Claude Obry, José Carlos Gentili, Antônio Miranda e Lucídio Alencar.
Flagrante do painel alusivo ao homenageado Ariano Suassuna

Casal Gentili com cordelistas e repentistas nordestinos.

Casal Gentili com repórteres da TV São Francisco, da Globo.

Dr. Lucidio Alencar, diretor da UNIVASP, Antropóloga Niède Guidon, diretora do Museu do Homem Americano, em São Raimundo Nonato, no Piaui e José Carlos Gentili, presidente da Academia de Letras de Brasília.
Flagrante de abertura do evento

Casal Jean Claaude Obry, José Carlos Gentili, Niède Guidon e o Magnifíco Reitor Jualianeli Tolentino de Lima



Medalha


Caríssimo amigo e confrade Valmir Campelo.

Estamos radiantes e banhados de lágrimas pela sua  notável fala, que sensibilizou 
a plateia emocionada, ao agradecer o raro galardão.

Você é orgulho para nós pioneiros e construtores desta cidade, símbolo de honradez
e fraternidade, que imanta a falange dos seus admiradores.

A Academia de Letras de Brasília, ao ser lembrada em seu discurso, perante os mais respeitáveis homens públicos desta nação, galgou mais um degrau de respeitabilidade cultural. 

Nosso aplauso extensivo à sua família, em especial a Marizalva, que encanta o seu viver. 

Do amigo e admirador.

José Carlos Gentili

Chá das Cinco


Modesto Chá das Cinco, reunidos os acadêmicos Marco Coiatelli, Arlete Mendes, José Carlos Gentili, Wilon Wander Lopes, Tarcízio Dinoá Medeiros e Francisco Catunda, após reunião na Academia de Letras de Brasília.

Agregar pessoas é, sem dúvida, uma das tarefas mais difíceis do gênero humano.

Cordialmente.

José Carlos Gentili

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Valmir Campelo: Medalha de Honra pelos 50 anos prestados ao serviço público

Meu estimado e competente Presidente: No próximo dia 5 de novembro, as 10 hs, no Plenário do TCU, acontecerá a entrega do Grande Colar a 6 homenageados. Logo a seguir, durante a solenidade, receberei a Medalha de Honra, pelos 50 anos prestados ao serviço público. Ficaria muito feliz , caso seja possível, de contar com a sua honrosa presença, convite que é extensivo a todos os confrades e confreiras.
Com o fraterno abraço do amigo 
Valmir Campelo

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

1ª Festa Literária da UNIVASF


A Academia de Letras de Brasília, uma das entidades apoiadoras da 1ª Festa Literária da UNIVASF, convida os ilustres acadêmicos para participarem do magno evento.

Dia 31 de outubro, em Juazeiro/BA, será proferida palestra,  BRASÍLIA-símbolo da interiorização da cultura nacional, pelo presidente José Carlos Gentili, homenageando os escritores Ariano Suassuna e João Ubaldo Ribeiro, ícones da literatura brasileira. 

A Festa Literária do Vale do São Francisco mostra a pujança da interiorização da cultura brasileira!

Cordialmente

Tarcízio Dinoá Medeiros
Diretor-Secretário
Academia de Letras de Brasília

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Evento Literário

Prezado senhores 
Com enorme satisfação, a Embaixada da República da Eslovênia convida para o evento literário "Poetas eslovenos e portugueses dão as mãos aos brasileiros" que será realizado na Livraria Cultura CasaPark no dia 3 de novembro segunda-feira às 19:00 horas.
A mesa-redonda contará com a moderadora Mateja Rozman que irá apresentar os poetas: Barbara Korun, Milan Dekleva, Brane Mozetič, Casimiro de Brito e Alojzija Zupan Sosič.
Após a mesa-redonda será servido vinho de honra para degustação. 
Endereço:
Livraria Cultura CasaPark Shopping Center SGCV - Sul, Lote 22 - Loja 4-A 71215-100 - Zona Industrial - Guará - DF
O evento foi organizado pela Embaixada da Eslovênia e conta com o apoio de JAK – Centro Esloveno de Literatura em Liubliana, Livraria Cultura e Embaixada de Portugal.

 
José Carlos Gentili
Presidente

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Entrevista com o filólogo Deonísio da Silva

“Língua é patrimônio do povo brasileiro”

POR THAÍS NICOLETI


Ultimamente, a ortografia tem ocupado na mídia espaço maior que o esperado, o que talvez se explique não por ser um tema apaixonante, mas pelo fato de, no Brasil, ser objeto de lei. A perspectiva de haver novas mudanças na grafia das palavras cria certo alvoroço tanto no meio editorial como na imprensa e nas escolas, enfim, entre aqueles que mais diretamente estão comprometidos com o tema, seja porque publicam obras, seja porque ensinam a escrever.

O fato de existir no Senado um grupo técnico de trabalho encarregado de rever o último Acordo, que, embora date de 1990, entrou em vigor em 2009,  cria alguma apreensão e, de certa forma, desestimula os esforços que têm sido feitos em direção à adaptação às novas regras.

De início, muitas foram as vozes que o criticaram, afinal, a necessidade de unificação da grafia do português nos países lusófonos não parecia ser algo tão urgente. Além disso, antes da publicação do Volp (Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa), havia muita dúvida sobre as novas regras e, consequentemente, proliferaram não só as criticas como também os equívocos.

Depois da publicação do Vocabulário (e de uma errata com substituições, correções e aditamentos) e, sobretudo, depois de ser o corpus posto gratuitamente à disposição para consulta no site da ABL (www.academia.org.br), os ânimos se acalmaram e o processo de adaptação parecia seguir seu rumo.

Eis que a divulgação de uma proposta de ortografia fonética, que imporia grandes mudanças à ortografia vigente (em nada comparáveis à supressão de alguns acentos e à alteração nas regras do hífen), vem novamente trazer à tona o tema da ortografia.

Hoje quem conversa com o blog a respeito do assunto é o professor Deonísio da Silva,  que é membro da Academia Brasileira de Filologia, professor universitário, escritor e doutor em Letras pela Universidade de São Paulo.

Respeitado nos círculos acadêmicos, Deonísio é também muito conhecido fora deles – e não é à toa, pois sua página de etimologia na revista “Caras” é sucesso há 20 anos. Além desse trabalho, Deonísio tem uma coluna na Rádio Bandnews Fluminense e vem publicando, ao longo de sua vida, títulos de grande interesse, entre os quais está o best-seller “De Onde Vêm as Palavras”, já na 17ª edição. É autor de  34 livros, em meio aos quais se destacam outras obras voltadas à etimologia (“A Vida Íntima das Frases” e “Palavras de Direito”) e os romances “Lotte & Zweig” (2012), baseado na vida do escritor, poeta e dramaturgo austríaco Stefan Zweig, “Teresa d’Avila” (1997) e “Avante, Soldados: para trás” (2005), romance que recebeu o Prêmio Internacional Casa de las Américas, em júri presidido por nada menos que José Saramago – e o Nobel de Literatura não lhe poupou elogios.

Leia, a seguir, a entrevista com o professor Deonísio da Silva:

Thaís Nicoleti – O senhor esteve no Simpósio Internacional Linguístico-Ortográfico da Língua Portuguesa, realizado recentemente em Brasília (nos dias 10, 11 e 12 de setembro). O senhor apresentou uma proposta de revisão do Acordo Ortográfico de 1990? Em que ela consiste?

Deonísio da Silva – Sim, estive no simpósio, que teve seu herói,  o escritor José Carlos Gentili, que do nada tirou aquele evento. Para fazer jus ao convite, preparei um “paper”. O título foi “A Extinção do Hífen”, mas não o apresentei porque notei certo enfado dos presentes com a repetição de questões de complexas sutilezas, cuja explicação é inútil, apesar da alta qualificação dos conferencistas.  Fiz, então, da etimologia a referência solar de minha intervenção, ilustrando com exemplos concretos o quanto perderíamos se adotássemos uma escrita fonética, de resto impossível de ser sequer formulada, quanto mais aplicada. Copo é copo, e leite é leite, mas “copo de leite” designa um copo com leite, porém “copo-de-leite” [com hifens] designa a açucena, uma planta ornamental. “Copo” e “leite” vieram ambos do latim, respectivamente de “cuppa” e de “lacte”; açucena veio do árabe “as-susana”, designando o que o grego conhecia por “leírion”, que deu “lilium” em latim e “lírio” em português. Essas questões etimológicas tornam-se ainda mais esclarecedoras no caso dos fármacos, em que a mudança de uma letra, não apenas da dosagem, pode designar remédio ou veneno. Além do mais, sou de Santa Catarina e lá se pronuncia “leite” de um modo diferente do que ouvi por longos anos no Rio Grande do Sul, no Paraná e em São Paulo, estados onde morei por vários anos. E no Rio, onde vivo há 11 anos, a pronúncia tem outras variações. Minha crítica foi esta: o Acordo ouviu muito pouca gente! Não me refiro a plebiscitos, mas acredito que profissionais da língua, como aqueles que, como eu, a estudam e a explicam a alunos ou a leitores, devam ser ouvidos. Essa foi a minha proposta. Como é que pode o nosso amigo Evanildo Bechara ser o executor das medidas de emergência do Acordo? Ele é altamente qualificado, é uma honra ser colega dele na Academia Brasileira de Filologia, mas ele precisa consultar, por exemplo, os colegas das duas Academias: da ABL e da ABRAFIL! Pelo menos esses!

TN – Há alguma proposta de revisão do Acordo formalizada, além da sua, em condições de ser discutida no âmbito do Senado?

DS – Creio que ainda não, mas achei bom o Senado estar envolvido nisso.

TN – A quem caberá liderar essa discussão no Senado e como exatamente se definirão as novas regras, na hipótese de isso vir a acontecer? Há um conselho de pessoas especializadas?

DS – Se houver uma proposta, ela deverá ser formulada por quem entende do riscado. O brasileiro tem uma habilidade verbal impressionante, mas estuda pouco a sua língua. É bom que seus representantes no Senado examinem esta questão. Alguns dos que têm determinado como devemos escrever deveriam usar tornozeleiras eletrônicas para sabermos por onde andam e por que formulam tantas impropriedades. Não é o caso de Ernani Pimentel. Ele detectou certa hostilidade em minhas críticas, mas eu não critico pessoas. Critico instituições. E elas, apesar de conduzidas por pessoas, também moldam aqueles que as conduzem.

TN – A quem exatamente o senhor se refere?

DS –  Por exemplo: recentemente, o dinheiro público financiou uma edição de 600 mil exemplares de “O Alienista”, de Machado de Assis, em que, em vez de serem explicadas as palavras que ampliavam e melhoravam o vocabulário dos leitores, principalmente alunos, elas eram substituídas por outras, tidas por mais fáceis, resultando em edição falsificada de nosso maior escritor, paga com dinheiro público! Ora, todos sabemos que o autor é modelo de escrever bem.

TN – Novamente a ideia de que é preciso “simplificar” as coisas. Penso que seria mais produtivo ensinar mais e melhor, fomentar a leitura e despertar o interesse pela nossa literatura. Mas, ainda sobre as possíveis mudanças ortográficas, o senhor acredita que um GTT [grupo de trabalho técnico, criado pela Comissão de Educação do Senado] coordenado por alguém que está fora do meio acadêmico vai conseguir congregar professores e estudiosos das universidades para debater o tema?

DS – Não vai. O meio acadêmico trabalha sobre credenciais, vitae, competência, desempenho, aferidos trienalmente por suas publicações, palestras, conferências etc., de acordo com a Plataforma Lattes, do CNPQ.

TN – O senhor percebeu alguma intenção desse GTT de levar o debate aos especialistas que estão nas universidades? O Senado, ao criar o GTT, não deveria ter buscado a universidade?

DS - “Pau que nasce torto, nunca se endireita”, como diz o Melô do Tchan,  e “menina que requebra… mãe, pega na cabeça”. O GTT – ele existe? – começou mal e pode terminar pior. “Depois de nove meses você vê o resultado”. Vai nascer um monstrinho.

TN – O senhor acha que o GTT vai realmente propor alguma mudança ou o papel desse grupo é apenas levantar a questão? 

DS – Soube que o Senado vai fazer uma audiência pública sobre o tema. Parece uma boa coisa, mas eu tenho minhas dúvidas sobre se vale a pena e se este é o melhor caminho. Temo que entre os interessados haja gente interessada em outra coisa. Por exemplo: ganhar dinheiro com publicações apressadas, incluindo fazer dicionários com verbetes errados, como fizeram quando da “decretação” do Acordo.

TN – O senhor acredita que haja intenção por parte da própria ABL de propor algum tipo de alteração no Acordo ou no Volp [Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa]?

DS – Eu me esforço para acreditar que haja, mas estou muito desconfiado de que não seja assim! Ademais, a ABL não é sequer a instituição mais indicada para fazer isso. Examinemos os “vitae” de cada um dos acadêmicos. Quem ali pode fazer isso? Poucos. Acho que há excluídos até mesmo no interior da ABL, quanto mais fora! Os responsáveis pelo Acordo não podem desprezar os centros universitários de excelência onde a língua portuguesa é pesquisada e ensinada.

TN – Que críticas o senhor faz ao texto do Acordo Ortográfico e/ou à interpretação que a ABL fez dele?

DS – A principal é não terem consultado mais gente. “In medio virtus”, como ensinaram os sábios romanos. Não era necessário fazer plebiscito sobre os temas, mas tampouco era necessário tratar o Acordo como obra de “illuminati”. Ainda mais que pesam tantas controvérsias sobre se são tão “illuminati” assim.

TN – O senhor acredita que qualquer pessoa, independentemente da formação acadêmica, possa propor um novo sistema ortográfico?

DS – Não! Se eu não acreditasse na relação bunda-cadeira-hora, não teria estudado tanto! Quando um técnico de informática vem resolver um problema em meu computador, não lhe pergunto se ele sabe quais as mais de 21 mil palavras com hífen que sofreram alterações no português com o Acordo. E espero que ele não me pergunte se eu sei as sutis diferenças entre um “software” e um “hardware”. Dele espero que entenda de computador. Se as pessoas que inventaram computadores, celulares e “smartphones” escrevessem como seus usuários escrevem nesses utensílios, estaríamos na idade do “chip” lascado…

TN – Na sua avaliação, o Acordo Ortográfico de 1990 era necessário? Fazer a reforma desse Acordo vale a pena?

DS – Se você está passando mal e não sabe o que tem, é melhor procurar um médico no qual confie. O português estava passando bem e, ainda assim, resolveram medicá-lo e, mais do que isso, submetê-lo a intervenções cirúrgicas dispensáveis. A verdade é que não precisávamos deste Acordo. Unificar modos de escrever, como fez o árabe, que tinha 14 grafias e agora tem uma apenas, para efeito internacional, respeitando a variação de cada país, tudo bem. Mas impor, não! Fala-se em Acordo com as outras nações lusófonas. Certo! Mas antes é preciso fazer o Acordo com os brasileiros. Esta proposta de refazê-lo é pior ainda. Este coelho não saiu do mato. Saiu de alguma cartola.

TN – O professor Ernani Pimentel, coordenador do GTT, apresenta em seu site uma proposta de ortografia fonética que chegou a ser divulgada por vários veículos de comunicação. Após a divulgação, as reportagens foram desmentidas pela Agência Senado, mas o desmentido foi baseado apenas no fato de que tal proposta não estaria “formalizada”. O senhor acha que os senadores que criaram o GTT conhecem, de fato, essa proposta? Cristóvão Buarque aparece no site do prof. Ernani Pimentel  ao lado de declaração favorável a ela.

DS – Tenho grande apreço pelo senador Cristóvão Buarque, aliás, um bom romancista, mas esta parte de sua biografia é sempre esquecida. E sempre tenho  sido um defensor intransigente de  parlamentos, por piores que sejam, pois nos representam. Se o jabuti está no galho da árvore, alguém o pôs lá. Então, se são aqueles os nossos representantes, foi o povo quem os pôs lá. E livremente. Mas senadores podem ser enganados por espertos, por desavisados, por quem não tem maldade, mas prejudica mais do que se tivesse… Sem contar que os senadores não são santos. Enfim, todo cuidado é pouco quando se mexe no patrimônio público. E a língua é isso: um patrimônio do povo brasileiro.

Homenagem a Affonso Heliodoro

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domingo, 5 de outubro de 2014

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Posse de João de Assis Mariosi no CB

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quarta-feira, 1 de outubro de 2014